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A mesa redonda sobre Psicomotricidade Relacional e intervenção social, realizada na programação de sábado, contou com a apresentação de quatro cases que mostraram resultados da aplicação da metodologia de Andre Lapierre em escolas de várias cidades brasileiras.

A psicomotricista relacional Alexandra Paiva de Menezes tratou do tema escola, espaço de transformação social sob o olhar da Psicomotricidade Relacional. E apresentou o case de uma escola localizada na periferia de Fortaleza, com muitas exclusões sociais. Para ela, a Psicomotricidade Relacional é um método que visa privilegiar a qualidade da relação afetiva, por meio das relações tônicas corporais e emoções vivenciadas na relação com o outro, com os objetos e com o espaço. “Temos uma importante ferramenta que  nos possibilita reviver e ressignificar momentos de frustrações, tristezas e dores, assim como nos permite experienciar vivencias que fora do simbólico jamais seria possível”, disse.

Alexandra apresentou no case o período anterior às sessões, onde os alunos demonstraram timidez, introspecção, isolamento, dificuldades de se relacional, comprometimento motor  e, ainda, foi verificado que muitos eram superprotegidos pelos pais. Por meio do brincar no setting da Psicomotricidade Relacional, as crianças demonstraram aspectos cognitivos, afetivos, físicos e sociais. “A intervenção também é responsável por vidas transformadas, relacionamentos melhorados e desenvolvimento da desenvolvimento da aprendizagem”, acentuou, concluindo com a frase “A qualidade da vida é a qualidade do ser, não do ter. Ser é existir, é exercer livremente o próprio poder de agir sobre o meio, mantendo a autonomia das próprias decisões”, de André Lapierre, que, para ela, ilustra a essência da Psicomotricidade Relacional.

Educação inclusiva

Dayse Eckhard Bondan apresentou sua experiência com uma escola do interior do Rio Grande do Sul, especialmente uma turma da sala de recursos. Ela decidiu promover, juntamente com a equipe diretiva, uma nova abordagem para o trabalho com a educação inclusiva, baseado no olhar da Psicomotricidade, “um olhar humanizado e global”, definiu.

A fisioterapeuta com especialização em Psicomotricidade Relacional destacou que, ao provocarmos a reflexão a partir da demanda do olhar para a singularidade, é necessário refletir sobre a gestão da escola frente a esta nova modalidade educativa, onde o modelo de escola se altera, não sendo mais para a aprendizagem do todo, mas sim para a aprendizagem de todos.

De acordo com ela, a Psicomotricidade Relacional tem se mostrado uma área bastante importante para a educação, contribuindo de modo significativo para a inclusão de indivíduos na sociedade e na melhoria de qualidade de vida, bem como melhor desempenho acadêmico, por ser uma proposta interdisciplinar, que agrega os aspectos orgânico, motor e psicológico, formando uma unidade psicomotora.  “Não há aprendizagem que não passe pelo corpo, por isso a Psicomotricidade se mostra como promotora do desempenho dos indivíduos, principalmente quando estes apresentam alguma deficiência”, afirmou.

Para Dayse, “o grande desafio da gestão da educação é desenvolver o olhar humano e singular para com os sujeitos, podendo sim, ser normatizado pela legislação, mas tendo o lugar de pertencimento de cada sujeito e o seu caminho respeitado dentro deste universo”.

Autorregulação

Corpo e emoções, estimulando a autorregulação por meio da Psicomotricidade Relacional foi tratada por Camila Ferreira. Ela relatou o trabalho realizado numa escola de Belém do Paraná. Disse que o corpo é uma ferramenta eficaz de intervenção no processo das relações pessoais e interpessoais e que a Psicomotricidade Relacional amplia espaços de vivências na escola no âmbito afetivo, emocional, social e pessoal.

Durante a intervenção psicomotora relacional foram considerados a demanda de dificuldades comportamentais, interacionais, socialização, aprendizagem. “A intenção foi identificar as contribuições da Psicomotricidade Relacional para o estímulo da autorregulação em crianças escolares, ajustar a regulação emocional e motivacional, estimular autonomia e tomada de decisões e favorecer o desenvolvimento cognitivo”.

Após o trabalho, Camila assinalou que a prática da Psicomotricidade Relacional em ambiente escolar se configura como uma ferramenta importante no desenvolvimento integral da criança e pode proporcionar avanços significativos acerca das competências emocionais, cognitivas e sociais”. Além disso, possibilita um ambiente assegurador, no qual emoções, sentimentos e expressões corporais podem ser legitimados e ajustados.

Superação do abuso infantil

A mesa redonda foi encerrada com a apresentação de Diná Cobertta da Silveira. Ela falou sobre utilização da psicomotricidade relacional no desenvolvimento da inteligência emocional: um caminho para a superação ao abuso infantil. O objetivo, de acordo com ela, foi analisar se a utilização da Psicomotricidade Relacional no desenvolvimento da inteligência emocional para favorecer a superação do abuso infantil.

Mostrou o caso de garoto vítima de violência sexual  por parte do pai. Ele reside com a mãe e o padrasto e demonstra comportamento agressivo e violento. É  aceito mas não se insere no grupo, além de apresentar dificuldades na aprendizagem. De acordo com Diná, a intervenção foi capaz de fazer com que o menino pudesse significar e ressignificar suas tristeza, angústias, culpas, medos, dores físicas e emocionais; controlar as emoções e estabelecer ações conscientes, a seu próprio eu. “Além de ampliar a capacidade de  associar seus diversos registros para controlar suas emoções e compreender as marcas e registros de seu próprio corpo”.

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