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A professora Anna Maria Chiesa abordou a questão da importância da visita domiciliar na construção da parentalidade positiva em palestra no XIV Fórum Municipal de Educação e Psicomotricidade Relacional Prevenção na Primeira Infância: prioridade para uma sociedade saudável, atividade paralela do III Congresso Internacional de Psicomotricidade Relacional. Também falou sobre a importância do investimento na primeira infância, e relatou programas nacionais da primeira infância com visita domiciliar, e de intervenção aplicáveis em contexto de intervenção primária da saúde e educação.

Reforçou que as experiências modelam a arquitetura cerebral, começando nos primeiros anos de vida, ou seja, a primeira infância. “O cérebro e as habilidades são moldados pela interação social. A plasticidade cerebral vai reduzindo ao longo do tempo, mas o que a gente adquire tem a potência de uso maior por mais tempo”, assinalou. “É fato que as experiências vividas pelas crianças são fundamentais na formação cerebral, incluindo aí o estresse tóxico, que traz efeito danoso na plasticidade cerebral infantil”. E destacou que a vivência vai trazer o ambiente e os cuidados como peças-chave no desenvolvimento integral da criança. Ana Maria frisou que “o que acontece de negativo também vai deixar marcas mais profundas na construção da estrutura cerebral”.

Doutora em saúde pública, consultora técnica da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal e membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência Pela Infância – NCPI, Ana Maria afirmou analisando os programas nacionais na primeira infância que ainda “devemos avançar e trabalhar para fortalecer o protagonismo das famílias e incluir a parentalidade no escopo das Equipes de Saúde Familiar – ESF”. Informou que atualmente são mais de 43 mil equipes de saúde familiar no Brasil. Estas equipes, formadas por médico, enfermeira, auxiliares ou técnicos em enfermagem e agentes comunitários de saúde, atendem até 1 mil famílias, totalizando um universo de 4 mil pessoas, dependendo o território.

Ressalta que neste trabalho de fortalecer o protagonismo é necessário valorizar os conhecimentos e habilidades que somados à amorosidade das atitudes e práticas das famílias, facilitam e promovem a sobrevivência, desenvolvimento saudável, proteção e participação da criança. “Profissionais precisam desenvolver habilidades para avaliar e fortalecer as competências familiares, sobretudo nestes programas pela capilaridade que o contato oferece”.

Ana Maria destacou ainda alguns desafios em comum com as pessoas que trabalham com a criança. Citou a necessidade da avaliação  de impacto dos programas nacionais desenvolvidos ou em desenvolvimento, de forma acadêmica e científica,  enfrentar a escassez de documentação sobre a avaliação de fidelidade e impacto dos mesmos na promoção do desenvolvimento infantil e fortalecer as visitas domiciliares por meio da formação dos profissionais que realizam a atividade em si, bem como dos profissionais que  supervisionam os visitadores.

Após sua palestra, Ana Maria lembrou a todos que é importante investir na primeira infância para proteger o desenvolvimento inicial, promovendo e prevenindo problemas. Também é preciso evitar a perda de potencial de desenvolvimento infantil nos primeiros anos e empoderar os pais para a função da parentalidade, bem como colocar em larga escala programas avaliados como efetivos como contribuição para a formação da sociedade saudável e adaptada. E, por fim, promover a parentalidade por meio da estratégia de visita domiciliar, presente em políticas públicas no Brasil.

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